De bike na rua, na chuva, na fazenda

Hillerøde – 08 de Janeiro

Como disse anteriormente, várias coisas deram errado no início da nossa viagem. Nosso vôo atrasou três horas em Confins (BH), chegamos com atraso em Lisboa e perdemos o vôo para Copenhagen.

Veja todas as fotografias desta história aqui

Tivemos que ficar um dia a mais em Lisboa, o que foi muito bom, pois pudemos conhecer a cidade e a TAP PORTUGAL nos arranjou um hotel muito legal por conta, com um jantar excelente e café incluso. Sem falar que Lisboa nos rendeu fotos excelentes (aqui: http://on.fb.me/1inX5tg) e uma vontade enorme de voltar para ficar mais tempo. Infelizmente a a TAP perdeu nossa bagagem e, depois de quase três dias com a mesma roupa em três vôos, tivemos que continuar até ontem com a roupa que chegamos de viagem. Não tínhamos nem uma roupa de frio e a Dinamarca aqui, com seus belos 5˚C para nos receber.

As minhas duas companheiras de viagem
Minha Nordweg e a bike, duas companheiras de viagem


Como sou o ciclista do grupo, e o mais ligado a passeios na natureza, resolvi pegar uma roupa para bike e a própria bike emprestada para viajar pedalando. Por causa do frio, ficar parado na rua sem roupa adequada é perigoso, e pedalando eu me manteria quente o tempo inteiro, quem sabe até com um pouco de calor.

Como estava cansado, escolhi Hillerød como primeiro destino, a somente 22km de Frederikssund.

Um comentário importante: bicicleta é paixão nacional na Dinamarca, todo mundo aqui pedala e pedalar é coisa séria. Existem regras iguais às regras de carro para ciclistas como dar sinal antes de virar, dar preferência a pedestres, semáforos separados e você pode levar uma multa pesada se não obedecer. Além disso, qualquer lugar no país tem faixas separadas somente para ciclistas, inclusive nas autovej (as estradas) como você pode ver nas fotografias.

Comecei meu trajeto e decidi utilizar o app do Google Maps do iPhone como GPS, para não ter que pedir informação toda hora. Infelizmente o app do Google estava errado e eu adentrei uns 3km numa área de fazendas, o que acabou sendo feliz pois foi onde encontrei a minha primeira fotografia. Fiquei me perguntando como deveria ser morar no paraíso.

Segui viagem pela autovej para Hillerød e fiquei impressionado com como os motoristas respeitam os ciclistas, mesmo em estradas de alta velocidade.

Para quem gosta de explorar lugares e descobrir coisas diferentes, uma bike é o melhor meio de transporte. Ela é flexível o suficiente para andar em quase qualquer lugar, e como você não anda a mais de 50km por hora é excelente para apreciar a paisagem ao redor, e parar sempre que quiser para fotografar ou adentrar uma floresta ou campo a pé.

Não demorou muito para chegar a Hillerød, encharcado pela chuva, mas sem frio. O único problema foi que em minha mente de brasileiro eu esqueci de que o sol aqui se põe no inverno às 16h. Todas as fotos noturnas que você está vendo da cidade aqui no álbum foram tiradas por volta deste horário. Não poderia mais voltar de bicicleta, sob pena de levar multa por não usar farol ou ser atropelado por um carro no escuro da estrada.

Decidi relaxar e tomar um café. Abro um parênteses aqui para falar o quão gentis e prestativas são as pessoas em geral por aqui. A atendente me perguntou de onde eu era, o que estava fazendo na Dinamarca, e que tipo de café eu gostava. Descrevi como era e recebi provavelmente o melhor café da minha vida, sem açúcar e extremamente forte e concentrado. Nota 10 para a moça extremamente simpática do café cujo nome não lembro.

Andei mais um pouco pelo centro de Hillerød (que é fechado e tem permitida a entrada somente de pedestres), fiz mais fotos e decidi voltar. O caminho era longo e eu não poderia pedalar. Tinha de descobrir um jeito de voltar de trem ou ônibus.

Caminhei bastante até encontrar a estação central da cidade e uma florista foi mais que prestativa: me ajudou a comprar a passagem correta (depois de eu ter pago 108DKK na errada) e me explicou como chegar a Frederikssund com a minha bike.

Peguei o trem e fui parar em Ølsted, um lugarzinho no meio do nada, sem sabor de chocolate, mas com cheiro de pizza molhada. O frio era grande e o ônibus que deveria passar lá não chegava. O corpo já não se mantia mais quente pois eu havia parado de pedalar e já mostrava sinais de cansaço.

Abordei uma jovem que passava e ela surpreendentemente (ainda não me acostumei com a gentileza das pessoas aqui) não só me levou até o ponto de ônibus e me explicou todos os horários na tabela (toda em Dinamarquês) como até me ofereceu dinheiro para o ônibus caso eu não tivesse comigo na hora. Citei Tim Maia: não quero dinheiro, eu só quero amar (brincadeira). Não precisava do dinheiro mas mesmo assim agradeci efusivamente. 

Ainda contei com a ajuda do motorista do ônibus que me explicou que não era possível carregar bicicleta dentro do ônibus, mas ele permitiria daquela vez para que eu não morresse congelado no meio do nada, na rua, na chuva, na fazenda, ou numa casinha de metal (o ponto de ônibus, hehe).

Entrei com a minha bike feliz da vida no bus, e ainda fui ajudado por um passageiro que me indicou onde era Græse Bakkeby, meu ponto onde eu deveria descer.

Engraçado como ficamos completamente a mercê de estranhos quando viajamos a terras estrangeiras, e eles sempre nos ajudam. Há fé na humanidade. 

#NetoMacedo

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