A Caçada, a dança e o legado [pt. 1]

20 de Janeiro

Naquela manhã de segunda-feira, ainda em Luleå, conseguimos nosso ônibus para Kiruna. Enquanto isso, Marco Brotto e Sarah Galantini nos auxiliavam sobre a previsão de tempo e a chance de ver a Aurora Boreal. Aparentemente, aquele dia seria nossa única chance.

Com essa roleta russa, a gente não poderia falhar, procuramos algum tour especializado, mas nenhum disponível para o horário que chegaríamos à cidade, caramba, a sorte não estava a nosso favor. Alugamos então um carro via internet e descobri uma Sky Station – uma estação para observar o tão esperado fenômeno, 100km ao norte de Kiruna.

Viajantes do Pólo Norte
Neto, Tania, Camila e o Gui

Já no ônibus arrumamos uma nova companheira: Tania, uma polonesa que veio no mesmo trem de Estocolmo, ficou presa na mesma cidade, tinha o mesmo objetivo e os mesmos problemas climáticos! Ela topou seguir a aventura conosco, enquanto o Gui descansava e eu deixava meu post no Dois +1 sobre nossas incertezas. O clima entre nós era de tensão: um misto de emoção com nervosismo, o medo do fracasso e de decepcionar não apenas nossas expectativas como as de quem nos acompanhava desde o começo.

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Chegamos uma hora mais cedo em Kiruna, uma cidade engolida pela neve – e em breve engolida pela mina subterrânea que irá fazer a cidade mover de lugar – e embora já escuro, proporcionava paisagens encantadoras. Aquele Thor do outro post – que na verdade chamava Lars – contou que era muito comum ver a Aurora até mesmo dentro da cidade, nos levou para o hotel e desejou boa sorte – queria que tivesse desejado me pedir em casamento, mas né, nem tudo é como queremos. No hotel empacotamos como se estivéssemos indo para o Polo Norte… mas espera aí, estávamos no Polo Norte! Logo, redobramos a proteção, afinal, dois dias antes havia feito -42°C!Buscamos o carro e em uma conversa com o funcionário da locadora descobrimos que a temperatura média no verão de Kiruna varia entre 10° e 12°C!!!

Água no carro, batata chips sabor alho – por que raios eu não trouxe essa maravilha para o Brasil? – e vamos para Abisko! Cidade que fica no extremo norte, a uma curta distância da Noruega no qual sua região montanhosa e pouco habitada virou o lugar perfeito para caçadores como nós e lá ficava a estação onde iríamos.

A caçada começou com suspense e emoção latente. Quando buscamos a Tania, radiante ela mostrava na câmera que dentro da cidade já havia conseguido captar nossa namoradinha polar… Loucos e empolgados… Vamos logo! Vamos para Abisko! Queremos ver essa maravilha! Sabíamos que a escuridão total facilitaria ver a dança de luzes do céu, portanto tínhamos que afastar de Kiruna.

Após rodar 30km e ainda faltando 70 para Abisko, começamos a questionar se já seria possível ver a Aurora… O Neto apaga os faróis do carro, mas a luz forte da Lua não contribuía muito…

– Neto, Gui, tem uma nuvem estranha no céu…
– Não era pra ter nuvem a -32°C, certo?
– Para o carro.

(continua…)

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