Pode chamar a Aurora, aquela linda (dia 2 no pólo norte)

21 de Janeiro

Clique aqui para a parte 1

Clique aqui para ver a parte 2

Como a Camila disse, conseguimos encontrar a Aurora Boreal na primeira noite em Kiruna/Abisko. Depois de tantos contratempos a nossa insistência valeu a pena e somada à bastante sorte conseguimos alcançar nosso objetivo.

Aurora Sky Station, Abisko, Sweden

Neto, Jeong e o Gui na entrada da Sky Station

Mesmo assim, ainda não estávamos 100% satisfeitos. A Aurora da noite anterior tinha sido um pouco fraquinha e sentíamos que precisávamos tentar mais uma vez, por desencargo de consciência. Consultamos nosso amigo especialista em Aurora (valeu Marco!) e ele nos garantiu uma previsão de atividade boa para a noite. Decidimos ficar.

Continue lendo

A CAÇADA, A DANÇA E O LEGADO [pt. 2]

Kiruna, 20 e 21 de Janeiro.

Clique aqui para a parte 1

Pouco tempo depois, após os olhos acostumarem com a escuridão eis que aquela nuvem explode em uma cor verde maravilhosa! Era a Aurora! Meu Deus, era ela aparecendo tímida no céu, graciosa! Eu não parava de gritar “oh my god” (em inglês mesmo, para a Tania entender), o Gui berrava o mais alto que seu pulmão permitia e o Neto sorrindo… Pausa para fotos, temos que registrar isso! Meu Deus, aquilo era maravilhoso…
… para nosso susto, o Neto afunda em um monte de neve – no qual eu achei que fosse água – que mais parecia areia movediça e quase queimou sua pele. Ajudamos a retirá-lo de lá e vamos seguir viagem! Nossa namoradinha estava fraca e começava a desaparecer… será se ela voltaria? Vamos mais ao norte, vamos até a Noruega se precisar, tínhamos que vê-la novamente!

Aurora Boreal em Abisko, Suécia - Pólo Norte

Aurora Boreal em Abisko, Lapônia Sueca

Enquanto aproximávamos de Abisko era visível a diferença na natureza: muitos rios congelados, enormes e maravilhosas montanhas, bem diferente da plana Dinamarca e Suécia que conhecíamos.

Continue lendo

A Caçada, a dança e o legado [pt. 1]

20 de Janeiro

Naquela manhã de segunda-feira, ainda em Luleå, conseguimos nosso ônibus para Kiruna. Enquanto isso, Marco Brotto e Sarah Galantini nos auxiliavam sobre a previsão de tempo e a chance de ver a Aurora Boreal. Aparentemente, aquele dia seria nossa única chance.

Com essa roleta russa, a gente não poderia falhar, procuramos algum tour especializado, mas nenhum disponível para o horário que chegaríamos à cidade, caramba, a sorte não estava a nosso favor. Alugamos então um carro via internet e descobri uma Sky Station – uma estação para observar o tão esperado fenômeno, 100km ao norte de Kiruna.

Viajantes do Pólo Norte

Neto, Tania, Camila e o Gui

Já no ônibus arrumamos uma nova companheira: Tania, uma polonesa que veio no mesmo trem de Estocolmo, ficou presa na mesma cidade, tinha o mesmo objetivo e os mesmos problemas climáticos! Ela topou seguir a aventura conosco, enquanto o Gui descansava e eu deixava meu post no Dois +1 sobre nossas incertezas. O clima entre nós era de tensão: um misto de emoção com nervosismo, o medo do fracasso e de decepcionar não apenas nossas expectativas como as de quem nos acompanhava desde o começo.

Continue lendo

Dois+1 Na Trip | Memories to keep inside

Nosso foco não era filmar, mas como fizemos alguns takes em alguns poucos lugares, resolvemos juntar tudo e fazer um pequeno vídeo resumindo a nossa viagem. Infelizmente não tínhamos equipamento próprio para filmar a Aurora, mas todo o resto está aí, documentado. Have fun!

40 Impressões sobre a Dinamarca. Leia no Sedentário & Hiperativo

Caso você ainda não tenha visto, saiu um texto meu no Sedentario & Hiperativo sobre as minhas impressões sobre a Dinamarca. É só clicar no link para ler.

Neto Macedo: 40 Impressões de um brasileiro sobre a Dinamarca

Depois que eu escrevi e o texto foi publicado, percebi que faltou tanta coisa… Mas fica o convite para vocês conhecerem de verdade: visitem a Escandinávia um dia. =)

1. Que pontualidade britânica que nada. Na Dinamarca todos são obcecados com pontualidade. Até nos pontos de ônibus existem painéis eletrônicos indicando quantos minutos faltam para o ônibus chegar. Eles estão sempre corretos (se um dinamarquês ler isto ele falará que não, que aquilo não funciona).

2. A Dinamarca é o país do ciclismo. São mais de 12.000km de ciclovias espalhadas pelo país e em Copenhagen o número de bicicletas é quase o dobro da população. São bicicletas de todos os tipos que você imaginar. Com carros para bebês, com três rodas, bikes fixas, duplas, etc.

3. Existem tantas bicicletas que é fácil encontrar uma novinha jogada por aí. Na verdade, a polícia tem até um sistema para “redistribuir” estas bicicletas abandonadas. Eles colocam uma tag na bike com a data e se em três meses ninguém remover a tag, qualquer um pode pegar a bike.

4. O trânsito é ultra organizado. Todos respeitam tudo e tudo é muito bem sinalizado. Mesmo 3 horas da manhã, com as ruas vazias, você encontrará pessoas esperando o sinal de pedestre para atravessar a rua. O pedestre sempre tem preferência, depois as bicicletas e só então os carros.

5. Na verdade, não só o trânsito é organizado por lá. Tudo é. Dinamarqueses são fiéis seguidores de regras, em geral. Na cabeça deles nem sequer passa a hipótese de “dar um jeitinho” numa situação.

Gostou? Clique aqui para ler o resto do texto no Blog Sedentário & Hiperativo.

Christiania, drogas e união

Christiania, algum dia de Janeiro.

- Você já passeou em algum lugar de Copenhagen?
- Ainda não…
- Vá à Christiania, mas vá conhecer durante o dia.

Ao ouvir essa recomendação pela oitava vez cheguei à conclusão: estava na hora de conhecer a tal Christiania.

Christiania, Denmark

Christiania, Denmark

Não tinha ideia do que era, onde era o que havia de especial. E para você, Capitão Óbvio, que está questionando o por quê de eu não ter pesquisado no google, eu simplesmente ainda gosto de ser surpreendida pelo belo da vida, sem antecipar os fatos da vida real com a virtual.

E assim no meu terceiro dia na Dinamarca, meio perdida, fui levada à Christiania pelo Marco, que insistia que a graça era durante o dia. Embora eu sentia que o passeio me renderia bons momentos, independente da luz do sol.

Enquanto chegávamos, fui apreciando a maravilhosa vista no caminho: Christianshavn. Uma área linda do outro lado da ponte, que antigamente era um porto e hoje abriga casinhas coloridas e pessoas simpáticas na rua.

O frio tomava conta. Paramos para tomar um café, batemos papo, perdemos a hora. Numa cidade na qual o sol se põe às 16:00, qualquer minuto gasto faz toda diferença. No nosso caso havia anoitecido. Porcaria, acabou a graça dessa Christiania…
… só que não. Insisti ao Marco e partimos para lá mesmo assim. Fui advertida que não me assustasse, nem que sentisse medo, Christiania era um lugar meio estranho, mas não era perigoso.

Entramos em um local escuro, no qual era rodeado por muro – sim, isso surpreende em um país que isso quase não existe. Não dava para ver direito o que acontecia, sem energia elétrica, me sentia no submundo de Gotham City: névoa, escuridão, algumas fogueiras em que pessoas se aqueciam em volta e um cheiro estranho no ar…
… entramos em um celeiro gigante, que funcionava como armazém – ou mais para um “topa tudo” no Brasil – e era comumente frequentado por alunos de Design e Arquitetura procurando materiais para trabalho. Ouvi sobre a história daquele local e fiquei fascinada…

… Quis logo então levar os garotos para fazer parte daquilo que, por mais ultrajante que fosse, ainda é um dos lugares que os jovens dinamarqueses mais têm orgulho de apresentar aos visitantes daquele país.

Após finalmente haver um dia ensolarado, seguimos para aquele lugar peculiar numa tarde alegre de Domingo. Todos encantados com Christianshavn que, por mais que fosse um bairro antigo, era possível ver a massiva presença de jovens passeando entre o colorido daquela região. Para chegar ao nosso destino final, me guiava pela imponente Igreja com uma enorme espiral de ouro que tocava um sino incrivelmente macabro e encantador.

À medida que nos aproximávamos, os prédios assumiam cores sérias e o Gui ficava impressionado com a influência do Bauhaus naquelas construções. Logo na esquina, sem nenhuma placa nem aviso, apenas o muro e uma enorme pintura na parede com fadas e cogumelos.

O que mais parecia uma entrada para um parque de diversão excêntrico era o portal de Christiania. Antes de entrar adverti que câmeras e celulares deveriam ser guardados, o uso desses eram proibidos e regra primeira para entrar naquele local.

Mas afinal, o que era Christiania? Aquela região portuária havia sido por décadas a moradia de soldados que lutaram na guerra contra a Suécia e estes, após um tempo, receberam melhores moradias e mudaram-se dali. Na década de 1970, os Hippies ocuparam aquelas moradias, juntaram dinheiro, compraram do governo dinamarquês aquela região e declararam independência da Dinamarca (e União Europeia!). Também conhecida como “Freetown”, a maior comunidade hippie na Europa, possui moeda própria, hino, bandeira, presidente e aproximadamente 1.000 habitantes – claro que não são completamente autossuficientes, ainda dependem do governo dinamarquês -, a economia interna se mantém e gira basicamente em torno da venda livre (embora ainda que proibida pela Dinamarca, mas pouco regularizada naquele local) de maconha e haxixe… estava explicado o cheiro estranho do primeiro dia. Na rua principal, a Pusher St. (isso mesmo, Rua dos Traficantes!), pode-se comprar livremente a droga em diversas formas.

Mas Christiania não surpreende apenas pela venda e consumo livre de drogas. Logo que entramos, houve aquele choque de sair das ruas limpas e impecáveis de Christianshavn ao andar pelas ruas de terra daquela Cidade Livre. Grandes prédios velhos, cheios de pinturas, cartazes e frases politizadas e um convite à fraternidade. Carros são proibidos e os próprios moradores constroem suas bicicletas.

Quem mora ali é por amor aos seus ideais e não é tão fácil assim: o “país” está lotado e há uma enorme fila de espera para conseguir um lugarzinho por ali. Além disso, todas as decisões são tomadas em conjunto pela comunidade, portanto, o morador em potencial precisa passar por aprovação geral.

Três capiais do norte de minas, roedores de pequi e bebedores de cachaça, ficamos meio constrangidos com a venda e o uso de drogas abertamente pelas ruas – Christiania também é conhecida por Green Light District – e por nenhum de nós ser usuários, nem curiosos, preferimos nos afastar para apreciar no lago o pôr-do-sol mais belo que vi em toda a viagem.

Após ver peruanos, dinamarqueses, árabes e passar por templos Hindus, Hare Krishna e até uma miniatura do Cristo Redentor em uma grande mistura de cultura que fui entender porque todos têm orgulho daquele lugar…

… Christiania não é sobre drogas. É sobre união, senso de comunidade. É relembrar quem somos, onde estamos e para quê viemos: manter a fraternidade e união. É sobre tolerância, aceitar diferenças e acima de tudo respeitá-las. É provar que diferentes povos e religiões podem viver harmoniosamente no mesmo lugar, sem um querer impor a cultura sobre o outro. Que o mundo pode ser um lugar melhor e pacífico.

Obrigada, Christiania!

Obs1.: não usamos drogas nem fazemos apologia, apenas respeitamos o ser humano independente de suas escolhas.

Obs2+1.: Christiania tem uma história super longa e muito interessante, como alguns problemas também. Aos que não tem a oportunidade de ir conhecer vale a pena dar uma pesquisada!

Stockholm, plebéias sul-americanas e príncipes encantados

Nossa viagem acabou e estamos a caminho de casa, mas ainda temos muita coisa pra contar. Portanto:

16 a 18 de Janeiro de 2014

- Ô Camila, escreve aí sobre a noite sueca.
- Uai, vou ter que escrever sobre tudinho da Suécia? Sacanagem, sô.
- Não sua besta, é só sobre a noite.
- Mas na Suécia são apenas 5 horas de dia!
-…

Chegamos em Estocolmo destruídos. Depois de passar a madrugada tentando dormir desconfortavelmente num banco congelado na estação de trem em Malmö e nosso trem atrasar uma hora, o Lorenzo nos recebeu com um apartamento aconchegante e um sofá mais que atraente.

Recebemos do nosso couchsurfer todas as dicas de passeio e incentivou que largássemos o cansaço de lado e explorássemos a cidade enquanto o corajoso engenheiro sairia pra correr. Duas horas depois estávamos de volta em casa pedindo trégua.

Clique aqui ou na imagem para ver mais fotos em Estocolmo.

Rock bar Stockholm

Nós num Rock Bar cujo nome não me lembro. Para ver mais fotos de Estocolmo, clique na imagem.

Depois de levantar a bandeirinha da paz para aquela guerra entre o sono e a vontade de sair, acordamos com nosso host em uma nova profissão: cozinheiro. Meu Deus, existe algum italiano que cozinha mal?! Lorenzo fazia um risoto digno de restaurante 5 estrelas enquanto contava um pouco da vida em Estocolmo, Itália e de como virou jogador de vôlei profissional – afinal, o que esse host não sabia fazer?

Continue lendo

Iluminado

Aurora, que me tens na cabeça desde o começo disso tudo.

Dois na Trip alcança a Aurora Boreal

Gui no topo do Nuolja, com a Aurora ao fundo

Me fez arriscar tempo, algum dinheiro, horas de pesquisas e estudos, equipamentos e tanto mais. Várias noites em claro se foram, sonhando acordado com seu brilho a vagar pelo céu.

Mal sabia eu que tua doçura seria tão intensa que me deixaria perdido ao olhar tuas curvas nos ares. Me pego alguns segundos a te observar, sem saber se é real ou miragem.
Talvez tenhas olhos de sereia, pois hipnotizado estou.

Vim de tão longe pra te ver, e é com esta simbiose envolvente que me recebes. Nem lembro mais das pedras no caminho.

Volto pra casa mais iluminado.

Kiruna e Abisko – 21 a 22 de Janeiro

Tudo deu errado mas ao mesmo tempo não deu tão errado assim. Não fomos para Tromsø, mas acabamos indo parar num paraíso de gelo: Kiruna. Lá conseguimos fotografar a tão esperada Aurora Boreal. Agora entendemos porque as pessoas falam “caçar” quando se referem a ela. Não é muito fácil encontrá-la. Felizmente, nós conseguimos.

Clique aqui ou na imagem abaixo para ver todas as fotos.

Aurora Boreal em algum ponto entre Kiruna e Abisko

Aurora Boreal em algum ponto entre Kiruna e Abisko

Não morremos, só estamos felizes por termos alcançado nosso objetivo de ver uma das coisas mais lindas da terra

Olá pessoas que nos seguem. Pedimos que não achem que desistimos e que a viagem deu errado. Quer dizer, na verdade deu tudo errado, mas nós somos brasileiros e a nossa especialidade é resolver imprevistos, seja na base da gambiarra ou não.

Abisko National Park Aurora Borealis Sky Station Northern Lights

Neto Macedo e o Gui Soares, em cima do Montes Nuolja, em Abisko, Suécia, com um pouco da Aurora Boreal ao fundo

Todos sabem que não conseguimos chegar até Tromsø e que os trens foram cancelados por causa do frio extremo e perigo de avalahnches. O que vocês não sabem é que sim, conseguimos alcançar nosso objetivo de presenciar e fotografar a Aurora, ainda no Polo Norte, porém na Lapônia!

Agora descobrimos porquê as pessoas falam “caçar” a Aurora. Realmente ela não é fácil de se deixar ver e nós gastamos algum tempo andando alguns kilômetros. Só conseguimos porque tivemos a ajuda de alguns amigos, como o Marco Brotto e a Sarah Galantini, que estiveram nos acompanhando com muitas dicas preciosas.

Portanto, aguardem. A história ainda não acabou e temos muita coisas para contar. Esperem para que tratemos e selecionemos nossas imagens, e vocês poderão ver então o que vimos: um dos fenômenos naturais mais impressionantes do mundo.

P.S.: Na foto não é o sol nascendo, é a lua. Lá presentes eu e o Gui, vestidos de homem-das-neves.